"E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar." (Clarice Lispector)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Insônia





E minha amiga insônia teima em tornar nossa relação cada vez mais forte.
Depois de quase 1 mês sem dormir de noite e quase nada de dia, resolvi apelar pros fitoterápicos. E, nada como um comprimido no meio do dia e dois no início da noite pra resolver esse meu romance com a insônia.
Fato é que existe muita coisa na minha cabeça. Algumas coisas desapareceram e eu fiquei tão agradecida quando vi que era só uma ameaça não concretizada. Ufa.
Outros novos velhos problemas surgiram.

Todo mundo sabe, precisa me ligar? Liga! Qualquer hora! Meu celular tá ali sempre do meu lado e eu sei o que é precisar desabafar no meio da noite.
Mas existe uma regra, definida pela sociedade e corroborada pelo BOM SENSO que diz: Não ligue na casa das pessoas após as 22 horas. Acho que exceto em casos em que você saiba mesmo que a casa toda dorme mais tarde, evite essa situação. Em caso de necessidade, ok, é compreensível.
Não sei as outras pessoas, mas comigo é assim, se meu celular toca no meio da madrugada eu penso "quem é o bêbado que deve tá me ligando?", se é o telefone da minha casa, já crio toda uma tensão, rola um medo.

Eis que um certo cidadão, irmão da minha cunhada tinha o hábito de ligar sempre após a meia noite na minha casa para falar "assuntos importantes" com sua irmãzinha. Ela mesma já disse, nem perca seu tempo, pode desligar.
Acabei perdendo a educação numa certa vez e fui clara "aqui tem gente que trabalha e acorda cedo, se você não tem mais o que fazer, problema seu e se quer falar com sua irmã ligue no celular dela, eu que não vou chamar ninguém". Por um tempo o meu amigo sumiu, anos mesmo.
Hoje o telefone toca, me arrancando do meu sono de uma maneira abrupta. Era o sujeito, tinha algo importantíssimo para falar com a irmã ¬¬. Ah! Me deu uma crise raivosa psicótica que se eu pudesse, eu arrancava os olhos do filho da mãe. Falei que não ia chamar ninguém e que se era importante era problema dele. Pensa numa pessoa folgada!!!
Mas aí eu já tinha recebido aquela carga de adrenalina que todo insone NÃO precisa ter e perdi o meu precioso sono. São quase 3 da manhã e não consigo mais dormir. Sério. To com muita vontade de cometer um homicídio!!!! Se fosse alguém passando trote dizendo que minha filha foi sequestrada eu não teria ficado com tanta raiva.

Ahhhhh que vontade de tacar a cabeça do filho da mãe na parede!!!!

Não!!! Eu não precisava disso na minha vida!!!!

Raiva

Aff

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Really Happy Valentine's Day

Nada como se ver apaixonada pela pessoa mais certa do mundo.
A piada era infame, vinda de um BBB qualquer. Mas ela riu. E nada mais pude ouvir, como se nunca tivesse ouvido aquela risada. Talvez tenha sido realmente a primeira vez que ouvi com os ouvidos do coração.
Era como uma música que eu poderia e queria ouvir pra sempre. Daqueles momentos que te fazem ter vontade de chorar e se perguntar "Onde é que eu estava esse tempo todo?".
Meu corpo e mente foram, da maneira mais avassaladora possível, tomados pela imensa vontade de ser o elemento que provocaria aquela risada novamente, sempre.

De repente, após tanto tempo ali, eu me vi apaixonada pela risada da minha mãe.

Momentos mágicos são esses que acontecem assim, numa segunda-feira, sentados no sofá da sala, assistindo BBB e torcendo pro calor diminuir um pouquinho.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Quem explica?

O que era essa blusa do AJ?????????





Saudade de qualquer forma. Ainda que com vergonha alheia! hahahaah

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sobre a teoria

Ahhhh como seria fácil olhar uma situação, pensar uns minutinhos e dizer "faça isso!, é o correto". Correto ou melhor, menos doloroso, mais rápido, enfim.
Mas sim, eu queria que a prática fosse tão aplicável quanto a teoria!

Seria tão melhor se após perceber que não conseguiria dormir devido aos pensamentos que chegam aos milhões se atropelando e, vendo que ficar acordada não resolveria sequer 1 deles, eu simplesmente virasse para o outro lado e pegasse no sono.
Mas não... to eu aqui, vencida, com o computador ligado, com uma agenda cheia de telefones, uma lista de centenas de "amigos" no facebook e ainda assim, falando sozinha.

Provavelmente ninguém poderia, muito menos a essa hora, resolver meus problemas. Mas às vezes ouvir um "vai ficar tudo bem" vindo de outra voz, soa mais verdadeiro que o "vai ficar tudo bem" vindo de sua própria voz que já tanto mentiu pra você.


Triste.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Muito Prazer

(Tati Bernardi)

Eu tenho medos bobos e coragens absurdas.
Eu vivo cercada de pessoas por fora da minha bolha egocêntrica, infantil e sensível.
Eu preciso de sal e açúcar para não virar os olhos de pressão baixa e hipoglicemia.
Escrevo por três motivos simples: preciso aparecer e não sou bonita o suficiente, preciso matar o tempo e preciso não morrer.
Sou fútil, entro em pânico pela moda, mas meto um chinelinho pra parecer desencanada.
Sou romântica, entro em pânico por não ser amada.
Eu vivo à espera daquele momento, mas não sei momento é esse.
Às vezes sinto cheiros e morro de saudades de coisas que já não me lembro mais.
Eu me orgulho de todas as minhas lembranças ingênuas, mas tenho consciência de que foi a minha fragilidade cansada que me transformou numa pessoa irônica.
Eu tenho uma risada escandalosa que me envergonha e uma mania ridícula de imitar a Madonna nas pistas de dança.
Passo metade do dia odiando minha vida e querendo ser sugada pela minha própria insignificância.
A outra metade passo rindo do quanto sou dramática e exagerada.

Eu sei de cor tudo o que tenho que fazer para dar certo, mas tenho medo da responsabilidade de ser notada.
Adoro o toque do telefone que quebra o barulho do abandono, a força leve da caneta no papel que pode transformar tantas coisas e o som do carro chegando na chuva para me salvar.
Às vezes, eu gosto apenas da folha em branco, do silêncio, da noite e da janela fechada, de preferência todos juntos.
Adoro o som de crianças num parquinho.
Acho tudo o que se refere ao amor extremamente brega.
Acho tudo o que não se refere ao amor extremamente infeliz.
Tenho crises de pânico mas nunca tomei nenhum remédio, acho normal que às vezes o ar se despeça do meu mundinho fechado e me faça vagar pela falta de pressão do universo.
Minha mão fica tão gelada e meu coração tão quente que eu pareço um petit-gateau.
Tenho medo de vomitar e não parar nunca mais de vomitar.
De bater a cabeça desmaiada na pia e morrer solitariamente.
Eu cansei de papo furado à luz de velas, eu cansei da ansiedade e da ilusão de princesa.
Eu prefiro um DVD e um pijamão e todas as minhas guloseimas no armário da cozinha.
Mentira. Tudo mentira. Eu corro atrás o tempo todo.
Não vou falar de nada que não seja meu umbigo.
Sou essa mala monotemática mesmo, chata, obsessiva, mas que ama muito mais do que odeia.